Cibercrime cresce como negócio alternativo

Fraudes mais comuns são mensagens falsas de e-mail e páginas falsas de web

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O crime eletrônico está amadurecendo, de acordo com especialistas em segurança, e, com sua evolução, os criminosos estão adotando abordagens convencionais, como preços ao estilo de supermercados e terceirização para especialistas que podem agir como gerentes de carteira de investimento ou técnicos de computador.

Não há fachadas decorativas ou sedes empresariais no mundo do cibercrime; apenas vendedores ardilosos em uma economia nebulosa, sem fronteiras distintas, na qual a mercadoria negociada envolve números de cartão de crédito: "dois pelo preço de um". "Vendo CC novos", promete um dos fornecedores, que oferece como amostra números de cartões de crédito. "Visa, MasterCard, Amex. Bons preços. Muitos países".

"É um desenvolvimento notável em um ambiente de negócios completamente alternativo, ocorrido nos dois últimos anos", diz Richard Archdeacon, diretor sênior de serviços mundiais da Symantec, uma empresa de segurança de Internet que opera 11 centros de pesquisa em todo o mundo. "O que surpreende é a velocidade com que tudo isso foi desenvolvido".

Nos Estados Unidos apenas, vítimas reportaram prejuízos de US$ 329 milhões com fraudes online em 2007, com uma perda média de US$ 2,53 mil. As queixas são registradas em uma linha especial de denúncias operada pelo Serviço Federal de Investigações (FBI) e pelo Centro Nacional de Crimes de Colarinho Branco, uma organização sem fins lucrativos cuja área de atuação é o combate ao crime eletrônico.

As fraudes mais comuns são mensagens falsas de e-mail e páginas falsas de web, e os crimes em geral são organizados dos Estados Unidos, Reino Unido, Nigéria, Canadá, Romênia e Itália, de acordo com um relatório do FBI divulgado no mês passado.

A despeito da crescente sofisticação e da dificuldade de reprimir o crime online, os juízos continuam relutando em decretar sentenças longas de prisão para as pessoas condenadas por eles, de acordo com certos representantes de agências policiais nacionais e de grandes empresas, como a Microsoft.

Um exemplo é o de Owen Thor Walker, 18, um hacker da Nova Zelândia que se admitiu culpado na semana passada de acusações criminais relacionadas ao desenvolvimento de uma vasta rede internacional de computadores individuais, todos os quais infectados com software oculto, ou "malware", comandado a distância.

No jargão do ramo, ele é conhecido como "pastor de bots", e ofereceu sua "redê robô" a uma empresa da Holanda, que desejava instalar clandestinamente em computadores o seu software publicitário.

A rede internacional de Walker foi revelada pela primeira vez em uma investigação pelo FBI de um ataque a computador, em 2006, que causou a queda de um servidor da Universidade da Pensilvânia. O FBI identificou um estudante da universidade, e ele terminou por conduzir os investigadores a Walker.

O sentenciamento de Walker deve acontecer em maio, mas o juiz do caso indicou que ele consideraria a possibilidade de prisão em regime comunitário ou prisão domiciliar como punição ao adolescente, que sofre da síndrome de Asperger, uma forma amena de autismo que é caracterizada por baixa habilidade social e comportamento compulsivo.

"É quase sempre difícil que um juiz compreenda o que está acontecendo, e quais são os riscos", disse Eric Loermans, inspetor chefe da unidade de crimes de alta tecnologia da polícia holandesa.

A unidade que ele comanda hoje conta com 25 investigadores, mas a polícia também está desenvolvendo programas de treinamento para combate a crimes online destinados a todos os seus integrantes, mesmo os patrulheiros. "Nos atrás, víamos o cibercrime como especialidade", disse. "Agora, ele se tornou parte de todo o treinamento policial, o que elevará o nível de toda a força policial holandesa. Não há crime que não inclua certos aspectos digitais".

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