Como a China virou a maior dor de cabeça da Apple

A Apple está presente no mercado chinês há um bom tempo, mas ainda não conseguiu o mesmo feito do que em outras regiões: crescer. Com as vendas do iPhone estagnadas no país, a China virou a maior dor de cabeça para a empresa.

Em carta aberta aos investidores, o CEO da Apple, Tim Cook já alertou: a expectativa é de que a receita fique US$ 9 bilhões abaixo do que foi projetado ao final do trimestre anterior. Um dos grandes motivos, disse Cook, foi o mercado chinês. Em outras palavras, a Apple não está conseguindo competir com as grandes concorrentes locais, como Huawei, Oppo, Vivo, Xiaomi, entre outras.

O mercado mundial de smartphones amadureceu e atingiu seu ápice há cerca de dois anos, por isso, começamos a notar uma pequena, mas persistente, diminuição no volume de vendas total de dispositivos móveis no mundo. De acordo com a empresa de pesquisa de mercado Canalys, os envios globais de smartphones caíram 7% no terceiro trimestre de 2018 em relação ao ano anterior. Com isso, tivemos o quarto trimestre consecutivo de quedas. Enquanto isso, a China, o maior mercado de smartphones do mundo, caiu ainda mais, cerca de 15%.

Contudo, mesmo neste cenário, Huawei, Oppo, Vivo e Xiaomi conseguiram aumentar sua participação no mercado, enquanto a Apple manteve-se no mesmo lugar. O que estaria acontecendo com a gigante de Cupertino?

A Apple não oferece preços competitivos

Por mais que a empresa tenha adaptado os seus smartphones ao mercado chinês, oferecendo os mesmos recursos que as concorrentes, o preço do iPhone é muito superior ao das demais fabricantes locais.

Para se ter uma ideia, o novo iPhone XR, lançado no ano passado com o preço mais baixo dos três novos modelos da Apple, pode ser comprado na China por 6,499 yuan (R$ 3.557,95). Já o Huawei Mate 20, o último lançamento da fabricante chinesa, com o hardware mais recente, pode ser comprado por 3.999 yuan (R$ 2.187,95).

Além desta discrepância no preço dos modelos, o Mate 20 possui uma das melhores câmeras do mercado e roda com um software adaptado para o mercado chinês. Logo, oferece mais e é mais barato.

E não se engane achando que a Apple vai manter os preços dos novos iPhones como estão. Em uma espécie de último esforço para impulsionar as vendas dos seus aparelho, nas últimas semanas, a companhia se viu obrigada a oferecer descontos no país para usuários que queriam trocar seus aparelhos usados.

A Apple oferece recursos importantes por último

Nos últimos anos, a Apple tentou adaptar os seus iPhones às necessidades do usuários chineses. Os modelos mais recentes da linha já oferecem a opção dual-SIM, bastante popular no país. Porém, todas as fabricantes locais fazem isso há algum tempo. Logo, além de chegar por último, a Apple necessariamente não introduz algo novo no mercado em seus smartphones.

Além disso, dada a importância do mercado chinês para a gigante de Cupertino, concessões também foram feitas no que toca ao serviço Apple ID, que na China pode ser usado com o número de telefone em vez da conta de email, visto que muitos chineses não possuem um endereço eletrônico.

Contudo, nada disso chega a ser uma função exclusiva da Apple em relação às demais concorrentes locais. E o cenário fica ainda pior quando envolvemos o WeChat.

A Apple não consegue competir com o WeChat

A China é um mercado único. Para os chineses, a marca Apple ou iPhone não possui o mesmo peso estético e social que existe em países como o Brasil, por exemplo. Logo, os consumidores se preocupam muito mais com as funcionalidades de um smartphone do que com a representatividade dele.

Em uma declaração ao Wall Street Journal, Mark Natkin, diretor executivo da empresa de consultoria Marbridge, afirmou que “as outras fabricantes estão um pouco mais próximas do que interessa aos consumidores chineses [do que a Apple]”.

Tanto é verdade que o iOS não possui tanta relevância no mercado chinês quanto em outras regiões, pois os chineses passam grande parte do tempo usando apenas um serviço, o WeChat, o qual é uma espécie de rede social, messenger e sistema de pagamento em um só lugar.

Como a China virou a maior dor de cabeça da Apple

Analisando a trajetória da Apple no mercado chinês, sem deixar de lado, claro, a questão do fortalecimento da moeda americana, que acabou deixando os iPhones mais caros no mundo todo, a China é uma pedra no sapato de Tim Cook. Mais do que isso, caso não haja uma ação mais contundente por parte da empresa, as chances de continuar perdendo espaço no país são grandes.

No último mês de dezembro, vimos as tensões entre os Estados Unidos e a China aumentarem. E, neste sentido, um dos fatosres que mais prejudicou a Apple foram, talvez, as constantes sanções do presidente dos EUA, Donald Trump, em relação à Huawei. Com a prisão da diretora financeira da empresa, Meng Wanzhou, no Canadá, muitas empresas chinesas passaram a incentivar que seus funcionários comprassem dispositivos da Huawei em detrimento aos da Apple. Contudo, de acordo com uma fonte do WSJ, isso não deve ter causado tanto impacto nas vendas da companhia no país.

Por fim, olhar para o mercado chinês e ver empresas como a Apple e a Samsung - que é a maior fabricante de smartphones do mundo - perdendo espaço de forma tão significativa para novos nomes, é um sinal de mudança de ciclo. Isso aconteceu com a Nokia e a BlackBerry nos anos 2000.

Digo mais, se não houver uma mudança no mercado de smartphones, talvez impulsionada pelo 5G e pela Internet das Coisas, as chances de vermos a Samsung e a Apple perdendo participação significativa de mercado a médio prazo são muito grandes. Tanto é que a Huawei, em menos de 10 anos, já desbancou a Apple e, em 2018, se tornou a segunda maior fabricantes de smartphones do mundo, ficando atrás apenas da Samsung.

E neste cenário, a Apple enxerga a sua frente a Huawei e, atrás, a Xiaomi e a Oppo. Não coincidentemente três fabricantes chinesas. Logo, se a "Maçã" não crescer na China, vai acabar sendo engolida por ela.

Fonte: Wall Street Journal / Cnet / The Verge

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